DE SANT'ANA À FEIRA DE SANTANA

Notícia: Mons. Luiz Rodrigues Oliveira | Publicação: 11/09/2018
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Constatamos, num piscar de olhos, que a grande maioria das cidades brasileiras foram "batizadas" com o nome de algum representante da imensa plêiade de representantes do catolicismo. Assim poderíamos até registrar uma verdadeira geografia toponímica católica neste vasto território nacional. Estados, cidades, vilas e lugarejos denominados de: Espírito Santo, São Paulo, São Luis, São Vicente, São José, Aparecida, Nazaré, S. Antônio de Jesus, São Francisco, São Carlos, Santa Bárbara, Santana, Santa Maria... e até Bahia de Todos os Santos.

Cá entre nós sabemos o quanto Senhora Santana é significativa para essa cidade que, tendo nascido à sua sombra pelo testemunho religioso de um casal de portugueses, deu abrigo aos feirantes e transeuntes que por aqui passaram em tempos idos na busca de melhores dias.

Hoje essa metrópole de mais de meio milhão de habitantes vive a aporia escatológica de um povo que ainda não a entende nas suas raízes históricas, máxime no aspecto desse traço identitário que é a religiosidade; religiosidade cristã-católica. Essa tensão se caracteriza pela busca de uma afirmação de valores. Ser cristão, ser católico é mais que celebrar alguns eventos ocasionais; imiscuir-se em contendas sociais e políticas sem clareza de objetivos; patrocinar eventos culturais estimuladores de baixarias; transformar a ação política em bodega, casa de negócios escusos.... enfim, a religiosidade que queremos ver reacendida no coração e na alma do feirense não pode não ser um sério compromisso com a história, com a fé, com os valores que nossos pais nos transmitiram sob a inspiração da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, o filho de Maria, filha de Santa Ana.

Ao celebrar a festa magna da cidade e da Arquidiocese, quero fazer um apelo aos católicos e aos líderes religiosos e políticos: que os primeiros procuremos, apaixonadamente, levantar o ânimus católico desse grande rebanho consagrado à mãe da mãe de Jesus; que os segundos, cuidem, no âmbito das suas competências, impedir que o exercício do poder se constitua num entrave ao desenvolvimento dos valores éticos e morais que constroem uma civilização, que dignificam um povo e que fazem umacidade, sobretudo quando essa cidade tem sua origem envolta pelo manto de uma santa, Santa Ana, pois o Estado é laico, mas o povo é religioso.