PAIXÃO DE CRISTO, NOSSA PAIXÃO

Notícia: Mons. Luiz Rodrigues Oliveira | Publicação: 11/09/2018
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Tomando o Evangelho, lemos em João 12,32: "e eu quando for elevado da terra atrairei todos a mim". Esse texto certamente encerra uma gama de interpretações que não cabem nos estreitos limites deste artigo. Entretanto, uma há que "salta aos olhos"": Jesus que não se apegou ciosamente à sua condição divina, mas abaixou-se até à morte... (Fil 4,7-11), foi elevado da terra no maldito madeiro da cruz!

Pensar Jesus Cristo é, inicialmente, contemplá-lo crucificado: "eu não anuncio outro Cristo senão o Cristo crucificado..." (1 Cor 1,23). Pensar Jesus Cristo é ler Mateus 25,31-46: estava com fome, estava prisioneiro, estava nu... Pensar Jesus Cristo é ler Atos 9, 4-5: "Saulo, Saulo, por que me persegues"?

Poderia continuar discorrendo sobre os muitos textos da Escritura que nos mostram essa estreita vinculação existente entre Cristo e a Igreja, mas fiquemos aqui, falando um pouco sobre a Igreja de Cristo, a nossa Igreja!

Assim como não existe alma "fora do corpo", não existe a Igreja sem o Cristo, porquanto foi Ele quem a gerou no seu desígnio salvífico, selando-a com o seu sangue espargido sobre o madeiro da cruz, na emblemática tarde da justiça-misericórdia de Deus, superando a noite da traição e da iniquidade.

Recordemos entrementes, que esse indescritível evento foi precedido de palavras e gestos que permearam toda a existência de Jesus Cristo, a saber: antes da Ceia, agacha-se, pega uma toalha e lava os pés dos discípulos..."se não fizerdes isto, não tereis parte comigo" (Jo 13,2ss); depois vai à mesa, abençoa o pão e o vinho dizendo: "isto é o meu corpo... que é dado por vós... e o sangue da nova e eterna aliança que é derramado por vós e por todos...". Esse sangue será mais tarde derramado pelas ruas de Jerusalém, sob chicotadas dos seus algozes e, por fim, no madeiro no alto do Gólgota, entre dois bandidos.

Se, como diz a Gaudium et Spes: "as alegrias, as tristezas, as dores, os sofrimentos da humanidade são igualmente as alegrias, as dores, as tristezas, os sofrimentos da Igreja, a paixão de Nosso Senhor não pode não ser igualmente a paixão da Sua Igreja e, por extensão de todos nós que a formamos e que completamos em nossa carne o que faltou a essa Paixão.

Celebrar a Paixão e Morte de Jesus Cristo é tomar consciência do quanto de dores e sofrimentos existem hoje em nosso meio e, olhando para Ele que não ficou no sepulcro, mas ressuscitou, acreditarmos que existe uma esperança e uma fé que vencem até mesmo o poder da morte!